Desde que os confrontos começaram em 28 de fevereiro entre forças dos EUA e de Israel e o Irã, o setor de energia sofreu um choque agudo: estima-se que cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo e gás natural tenha sido retirado de operação, desencadeando uma disparada nos preços e renovando os apelos para acelerar a transição para fontes domésticas de energia renovável.
No centro da crise estão corredores de navegação bloqueados, ataques à infraestrutura no Golfo Pérsico e declarações de força maior, que já começam a reconfigurar a dinâmica global de oferta e demanda de energia.
Desde 28 de fevereiro, o Irã fechou de facto o Estreito de Ormuz e realizou ataques contra infraestrutura energética em todo o Golfo. Como consequência, a produção foi forçada a parar em vários países da região, do Qatar ao Iraque.
O Brent saltou de cerca de US$ 73 no início do conflito para aproximadamente US$ 120 na segunda-feira, relata a Reuters, desencadeando forte volatilidade nos mercados globais.
A QatarEnergy declarou força maior sobre seus embarques de GNL, volumes que representam cerca de 20% da oferta mundial de gás natural liquefeito. A empresa alerta que a restauração dos volumes pode levar pelo menos um mês.
"Quantas vezes precisamos aprender a mesma lição?", disse Lucas White, gestor sênior de portfólio da GMO, à Morningstar. Ele ressalta que a geração distribuída — painéis solares e turbinas eólicas — tornaria as economias menos vulneráveis a interrupções no fornecimento de petróleo e gás.
Pavel Molchanov, analista da Raymond James, afirmou que a crise "destaca a ligação entre segurança energética e a transição para fontes renováveis", acrescentando que preços persistentemente altos do petróleo poderiam impulsionar a demanda por veículos elétricos nos EUA.

Economistas da London School of Economics (LSE) instaram o governo do Reino Unido a acelerar a transição para fontes próprias de energia "limpa", citando a elevada vulnerabilidade da Grã-Bretanha às oscilações nos preços internacionais dos combustíveis fósseis.
O Asia Times observa que conflitos desse tipo podem consolidar uma vantagem estrutural para países asiáticos que já investem na fabricação de painéis solares e baterias. China e Índia estão bem posicionadas para se beneficiar de uma implantação acelerada de energias renováveis.
White aponta um precedente: a invasão russa da Ucrânia em 2022 praticamente dobrou as instalações solares na Europa e aumentou significativamente a participação da eletricidade renovável na União Europeia.
O Axios alerta que preços mais elevados da energia podem alimentar a inflação e levar a aumentos das taxas de juros, tornando mais caro o financiamento de projetos de energia limpa intensivos em capital.
A Fitch Solutions alerta para o risco de que alguns países asiáticos e europeus possam voltar a recorrer ao carvão caso persistam as interrupções no abastecimento de GNL. A ClearView Energy Partners sugere que a administração dos EUA também pode encarar medidas de energia limpa como uma resposta prática ao aumento dos preços.
Segundo o Asia Times, o conflito com o Irã "funciona como um teste de resistência para o modelo energético da Ásia": a vulnerabilidade de curto prazo pode se intensificar antes de diminuir, mas uma instabilidade prolongada poderia acelerar a transição para fontes renováveis e reduzir a exposição no longo prazo. Para os traders, as questões-chave continuam sendo por quanto tempo as interrupções irão durar e que medidas países e empresas tomarão em resposta.
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